quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Por que empreender é tão difícil?

Independentemente do perfil do empreendedor, as mesmas categorias de desafios acabaram ficando nas primeiras posições

Qualquer empresário te dirá que abrir e manter seu próprio negócio é fácil. Mas, por que empreender é tão difícil? Em uma pesquisa realizada em 2016 com quase 1000 empreendedores brasileiros, foram levantados os principais desafios que eles encontraram em sua trajetória. Independentemente do perfil do empreendedor, as mesmas categorias de desafios acabaram ficando nas primeiras posições. Então vamos aos cinco maiores desafios identificados:

1. Mão de Obra: Sem ela o seu negócio não anda, mas mão de obra qualificada sai caro. Encarar o dilema entre pagar mais caro por um profissional qualificado ou investir na qualificação de um profissional foi o maior desafio enfrentado pela grande maioria dos novos empreendedores. Nossa dica: é preciso encontrar um equilíbrio entre motivar seus funcionários e investir neles. Profissional motivado e qualificado trabalha melhor e eleva a qualidade de seus produtos ou serviços.

2. Gestão financeira: Muito novos negócios fecham nos primeiros anos de existência porque contraíram muitas dívidas, e o problema é a má gestão financeira. Não calcularam antecipadamente todos os custos do negócio, não planejaram bem as receitas e, o principal, não tinham conhecimento sobre gestão financeira. Nossa dica: fuja dos empréstimos bancários, avalie muito bem os seus custos e faça um bom planejamento (bem conservador) da receita futura. Se tem dificuldades, procure um profissional ou sócio com experiência.

3. Burocracia (Jurídico e regulação): Não é segredo para ninguém: a legislação brasileira não facilita para quem quer abrir seu negócio, os impostos levam quase todo seu lucro. Tanto que o maior obstáculo apontado pelos empreendedores está nos impostos. Nossa dica: procure um contador, explique muito bem o seu negócio, seus produtos ou serviços, e encontrem a melhor solução. E lembre-se, sempre coloque na sua conta final o pagamento dos impostos.

4. Inovação: As empresas identificaram que a velocidade com que a inovação muda o conceito dos consumidores, não só na área de produtos e serviços, mas também na forma como serão solucionados os problemas encontrados no cotidiano de cada negócio, é um desafio para as novas empresas. Nossa dica: Esteja sempre preparado para as novas mudanças do mercado, atualize-se sempre e aceite modificar o seu negócio. Sem mercado, nenhuma empresa sobrevive.

5. Marketing: A falta de estratégias de marketing é outro desafio para a grande maioria das empresas, muitas delas por falta de experiência, capacitação ou profissionais da área. Nossa dica: o Marketing concentra a inteligência competitiva e estratégica da empresa, analisando todo o mercado. Busque um profissional competente ou uma empresa de consultoria e estabeleça claramente quais as estratégias para atender a necessidades e desejos dos seus clientes.

Muitas vezes é complicado para o jovem empresário entender todos esses conceitos e a importância deles dentro do seu negócio quando se está ingressando no mercado. Antes de encarar qualquer novo desafio busque capacitar-se. Por meio do conhecimento é possível elevar a sua ideia para um outro nível, tornando o seu negócio muito mais competitivo. Aprenda com quem já sabe, a experiência dos outros pode ser extremamente valiosa.

Charles Bonissoni — Sócio fundador do Grupo WDS, maior grupo de entretenimento do Brasil, detentor da marca Wood´s, e mentor do Projeto Jovem Empresário.

Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/por-que-empreender-e-tao-dificil/122083/

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Seis dicas para investir nas pessoas da sua startup

É a equipe que você tem ou contratou que, em última instância, determinará o sucesso ou o fracasso da sua startup

Sempre que se fala em startup, fala-se em inovação. Mas, tem um assunto que gosto muito e que, na minha opinião, é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento: pessoas! Pois, não existe inovação sem pessoas.

Como todo empreendedor sabe, criar uma startup é um trabalho árduo. O que normalmente ouvimos é: “eu tenho uma superideia inovadora, fiz pesquisas e identifiquei que existe uma real necessidade no mercado. Fiz meu plano de negócios, validei conceito, conversei com muita gente etc”. Mas, você já se perguntou se o investidor (Venture Capital ou anjo) concorda com você?

Com tantos fatores em jogo e pesquisas indicando que até 90% das startups falham, como você faz tudo isso funcionar e dar certo? O segredo está em prestar muita atenção e dedicar tempo às pessoas com as quais você convive e trabalha.

Uma ótima ideia quase sempre é o catalisador para colocar as coisas em movimento, porém, no final do dia, é a equipe que você tem ou contratou que, em última instância, determinará o sucesso ou o fracasso da sua startup. Então, aqui vão algumas dicas:

1. Compartilhe sua visão.
Ao contratar os primeiros funcionários, você, provavelmente, não estará oferecendo grandes salários e benefícios corporativos. Você está apostando que os outros vão querer se juntar ao seu projeto e sonhar o seu sonho, portanto, é extremamente importante que eles acreditem que o sonho é alcançável. Como fundador, você deve compartilhar sua visão de longo prazo. O entendimento da visão geral e essa crença fazem com que o seu propósito seja válido para um potencial empregado.

2. Conheça suas fraquezas.
Se você é o único fundador ou tem parceiros, é importante identificar suas fraquezas. Faça um balanço dos vazios em suas habilidades e dê prioridade às posições que você precisa contratar primeiro. Por exemplo, se você (ou seus fundadores) são experientes em tecnologia, mas não tem habilidades para vender um produto, você vai querer encontrar rapidamente alguém que o faça . Reconhecer essas necessidades desde o início economizará muito tempo extra na estrada. Além disso, verifique se você está ciente de quais papéis têm mais sentido para sua startup.

3. Dê atenção à sua rede.
Não são apenas as pessoas de dentro da empresa que são fundamentais para o crescimento do seu negócio, são também as pessoas que você traz de fora. Os mentores, os conselheiros informais, e os membros do conselho (quando for o caso) não são apenas para mostrar. Eles desempenham um papel importante na ajuda para guiá-lo tanto pessoal como profissionalmente. Cultive suas redes individuais para encontrar especialistas da indústria e veteranos que possam aconselhar com o olhar e a experiência de alguém que já passou por isso antes.

4. Seja criativo ao contratar.
Você tem seu time, mas, agora, é hora de encontrar as pessoas que ajudarão a impulsionar o sucesso do dia-a-dia da sua startup. Os recrutadores são ótimos, entreteno, se você deseja encontrar as melhores pessoas para sua startup, planeje fazer algumas incursões você mesmo para achar a pessoa certa. Faça uma lista de habilidades profissionais e traços de personalidade que deseja em sua equipe e, então, procure-os ativamente.

5. Lembre-se de que não há ‘eu’ na equipe.
À medida que você começa a contratar esses novos talentos, é importante que cada membro da equipe tenha a oportunidade de fornecer feedback durante o processo de contratação.

6. Construa a cultura que você deseja.
Ao contratar, lembre-se de mobilizar a equipe em torno de sua causa. Construa uma cultura que se preocupe com suas pessoas e o entorno, que esteja unida em torno de uma visão compartilhada.

Por fim, lembre-se: ninguém faz sucesso sozinho!


*Altair Assumpção é empreendedor, investidor-anjo e mentor da Spin Aceleradora de Startups.
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/empreendedorismo/seis-dicas-para-investir-nas-pessoas-da-sua-startup/121901/

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O que empresas tradicionais podem aprender com as startups

Para manter um negócio inovador, é preciso antes de tudo contar com um time engajado e colaboradores com uma identificação forte com a cultura e clima da empresa

Contar sobre os desafios que tive nesses seis anos à frente do GetNinjas tem sido uma tarefa cada vez mais frequente e estimulante. Ao compartilhar minha experiência, também aprendo muito. Venho colecionando as dúvidas e sugestões das centenas de pessoas, de empresas tradicionais ou iniciantes, que encontro em eventos, palestras e painéis. De forma geral, acabam sendo muito parecidas, o que me inspirou a compartilhá-las para que mais pessoas e negócios sejam impactados.
Sempre começo minhas palestras contando os motivos que me levaram a trocar um emprego formal, no mercado financeiro, pela aventura de empreender. Sim, falo que é uma aventura, porque os desafios são muitos, o que exige do empreendedor um perfil profissional mais disposto a assumir riscos para propor novas ideias ao mercado.
Cada vez mais empresas tradicionais nos sondam em busca de inspiração. Esse perfil mais ousado, que tenta algo diferente do que já é feito, que testa, é algo que elas ainda não sabem como adotar, mas precisam aprender para inovar em seus segmentos de atuação.
Seleção de talentos
Para manter um negócio inovador, é preciso antes de tudo contar com um time engajado e colaboradores com uma identificação forte com a cultura e clima da empresa. E, acima de tudo, ter pessoas apaixonadas por criar negócios inovadores e com potencial de escalar e dominar o mercado.
Remuneração
É muito importante que todos colaboradores tenham uma participação ativa na empresa, o que é possível oferecendo ao funcionário a possibilidade se tornar acionista da empresa, numa combinação de salário e equity. Isso ajuda a gerar o sentimento de dono e motivar as pessoas a darem o melhor para ver a empresa crescer e serem recompensadas pelos esforços no futuro.
Propósito de negócio
Não é só com equity que se motiva uma equipe. Mostrar para o time o impacto gerado pelo nosso negócio, é o melhor estímulo para que as pessoas se dediquem a dar o melhor de si. Isso pode ser incentivado por meio de projetos de comunicação, usando vídeos, texto ou quadros espalhados pelas paredes do escritório, por exemplo, para contar histórias de sucesso dos usuários do seu produto ou serviço.
Organização dos times
Para continuar crescendo rapidamente e ajudar muito mais profissionais a terem clientes fieis, startups do mundo inteiro, incluindo as que já cresceram muito – como Uber, Netflix e Airbnb, uma estrutura de organização de times chamada Squad. Criada pelo Spotify, esse método propõe a divisão dos times em pequenos grupos com missões bem definidas sobre o produto. No GetNinjas, por exemplo, temos squads de aquisição, experiência do usuário, receita e marketing. Em cada um desses times, há pessoas de tech, produto, design, BI e conteúdo, o que os torna bem completos e independentes.
Outra metodologia bastante adotada por startups, e que ajudou o Google a se estruturar e crescer, é o OKRs (Objectives and Key Results). Criada pelo ex-CEO da Intel, o OKR é uma forma de se definir, medir e reavaliar resultados num curto prazo, 3 meses. Isso garante aos times manter um direcionamento e independência maior na execução dos projetos já pré-definidos e estipulados, o que permite tomar decisões mais rápidas para um crescimento contínuo do negócio.
Clima Organizacional
Outro ponto importante sobre um negócio de sucesso é o bem-estar da equipe. Para isso, o time de Recursos Humanos precisa ser bastante ativo e criativo. Sempre cito nas minhas palestras, as iniciativas lideradas pelo nosso RH, que visam melhorar a comunicação entre os times. Como exemplo, temos o Papo Reto, um encontro mensal com uma conversa informal que ajuda no desenvolvimento e satisfação de toda a empresa.
Outras ações do RH, que também contam com participação e engajamento de todo time são os Embaixadores da Cultura e o Gente Ninja. Os embaixadores são formados por um grupo de cerca de 10 funcionários que se reúnem periodicamente para construir uma cultura empresarial viva e ativa, que ajude a disseminar os propósitos da empresa para todos funcionários. O Gente Ninja é outro grupo que discute sobre tudo que engloba diversidade dentro e fora da empresa.
Com essas ideias de ações, empreendedores novos e também os mais tradicionais podem pensar em como trazer ideias simples e ativas para dentro das organizações a fim de estimular o poder criativo dos times e motivar a produção.
Iniciativas como essa são importantes para levarmos para empresários de todo país propostas inovadoras e de alto impacto social e econômico. Assim, mostrando como startups lideradas pela nova geração estão revolucionando a forma de se gerenciar e como indústrias de segmentos mais tradicionais podem impulsionar seus negócios com iniciativas simples, mas de grande impacto.
Eduardo L'Hotellier - Fundador e CEO do GetNinjas
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/o-que-empresas-tradicionais-podem-aprender-com-as-startups/121906/

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar

Modelo de aprendizagem ativa é alternativa a aulas expositivas tradicionais


Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar
Professor Fábio Ribeiro Mendes em oficina de estudo  DIVULGAÇÃO

Em 2009, o filme Entre os Muros da Escola, dirigido por Laurent Cantet, expôs ao mundo as dificuldades de um professor para lecionar a língua francesa em uma escola de ensino médio na periferia de Paris. No final do filme, ele pergunta aos alunos o que eles aprenderam no ano letivo. Para a surpresa do professor, entre depoimentos sobre terem aprendido as proporções da matemática, sobre vulcões e até mesmo expressões em espanhol, uma aluna diz que não aprendeu nada. Segundo ela, o material oferecido pela escola era inútil, mas ela havia lido livros interessantes por conta própria, como a República, de Platão. O professor parece aliviado, mas quando a aula acaba, outra jovem se aproxima dele e revela: "Comparado aos meus colegas, eu realmente não aprendi nada (...) não entendo o que fazemos aqui."

Essa situação não é muito distante da realidade de um professor brasileiro nos dias de hoje. "O professor prepara a aula, ensina o conteúdo, passa exercício, prova, recuperação e percebe que o aluno aprendeu o básico do básico, às vezes, nem isso", conta o professor Fábio Ribeiro Mendes, formado em Filosofia e Direito, e especialista em desenvolvimento da autonomia no aprendizado, que desenvolveu um método de aprendizagem ativa, baseado em Oficinas de Estudo.
Há dez anos, Fábio empreende uma cruzada contra o ensino chato, a desmotivação dos alunos e a frustração e cansaço dos professores na prática na sala de aula. Segundo ele, o diagnóstico compartilhado por profissionais de educação mundo afora é que o modelo de aula expositiva tradicional está falido, pois ensina pouco, e não desenvolve as habilidades necessárias para o século XXI. "Os alunos em geral não sabem estudar. Passamos doze anos na educacao básica e não temos uma aula de como estudar. E somos cobrados por uma tarefa que não aprendemos a fazer", conta o professor.
Com base em sua experiência como aluno, Fábio desenvolveu o Método de Estudo das Quatro Etapas, que norteia as oficinas. "Mesmo sendo um aluno que tirava notas boas no colégio, eu sabia que não era em função do estudo em casa. Eu achava chato estudar. Mas quando fiz o segundo vestibular para Direito e fui rever o conteúdo do ensino médio, notei que já não achava mais tão chato, pois tinha aprendido a estudar sozinho."

As quatro etapas de estudo: 1ª leitura panorâmica; 2ª seleção e marcação de trechos relevantes; 3ª anotações; 4ª exercícios

O método se baseia em quatro etapas: 1ª leitura panorâmica (rápida e superficial) do material de estudo; 2ª seleção e marcação dos trechos mais relevantes no texto; 3ª anotações das informações mais importantes; 4ª exercícios (formulados pelo professor ou mesmo com base nas dúvidas dos estudantes), que vão testar o conteúdo aprendido e ajudar os estudantes a levantar dúvidas. A vantagem do método, afirma Fábio, é que por meio de um roteiro de oficina de estudos os alunos acompanham as etapas de ensino, e sabem se estão avançando ou não.
Em seu livro A Nova Sala de Aula, Fábio demonstra como funciona o método na prática. Primeiramente, o professor apresenta aos alunos o material que servirá de base para o estudo, e em seguida, traz as ferramentas (método de estudo), explicando passo a passo cada uma das etapas a serem seguidas. O professor acompanha a prática dos alunos, orientando-os no percurso, porém, é o aluno, em seu próprio ritmo que toma as rédeas de seu aprendizado, lendo e relendo o conteúdo, e mesmo avançando se já o tiver compreendido, até chegar à fase de produção de anotações e elaboração de exercícios. "Estudar não é aquilo que fazemos no colégio, aquilo é receber conteúdo. Estudar é aprender por conta própria com conteúdo inédito. É um mito de que sem um professor não se consegue aprender", diz Fábio
A principal mudança em relação ao método tradicional, é que as Oficinas de Estudo são centradas no aluno e não no professor. Fábio, no entanto, é enfático em afirmar que seu método não tem como objetivo acabar com a função da escola ou do professor. Ele explica que, enquanto o ensino tradicional é pensado de forma unidirecional, com alguém que sabe o conteúdo passando para alguém que quer aprender, o que ele propõe é trabalhar com um método que possa ser aplicado dentro das instituições de ensino como elas estão estruturadas, com custo praticamente zero, início imediato e protagonismo dos estudantes nas aprendizagem.


DEPOIMENTO DE QUEM TESTOU O MÉTODO NA SALA DE AULA

Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar
Cópia de material produzido por aluno 

"Meu nome é Sandra Hoffmann e sou professora de Matemática em Santa Cruz do Sul (RS), e sou formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Em 2013 assisti a uma palestra do professor Fábio Mendes e fiquei encantada com a proposta de trabalhar com Oficinas de Estudo. Li o livro A nova sala de aula do autor e decidi aplicar a metodologia em duas turmas de 7º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Petituba.
Para isto, fiz pequenas adaptações em relação a proposta do livro. O primeiro passo foi a preparação do material para alunos do 7º ano. Organizei cópias de um livro didático sobre equações do 1º grau e distribui aos alunos. Com a minha orientação, eles realizaram as etapas de leitura panorâmica e marcações.
Na matemática é muito importante ter conhecimento prévio de determinados assuntos. Pensando nisso, propus aos alunos a criação de um glossário matemático. Por isso, levei para a aula outros livros didáticos e dicionários, para que os alunos elaborassem o glossário com as definições dos termos que eles desconheciam. Após a elaboração do glossário, foi proposto que os alunos fizessem suas anotações, seja na forma de um esquema, resumo ou tabela, sem se preocupar com certo ou errado.
Com todas as anotações reunidas realizamos um momento de debate. Foi muito enriquecedor, pois fomos além dos conteúdos propostos inicialmente. Por exemplo, foi debatido sobre a diferença entre as dimensões 2D, 3D e 4D, o que provavelmente não teria acontecido se tivesse adotado uma aula tradicional. Não foi necessário que eu explicasse o conteúdo para os alunos, mas apenas esclarecer alguns pontos do material e auxiliá-los a fazer as ligações necessárias entre os conteúdos e o material produzido.
Depois disso, os alunos realizaram exercícios diferenciados usando como consulta as suas anotações. Foi muito interessante acompanhar os alunos fazendo as relações das questões com as suas anotações. Muitos quando tinham dúvidas formularam perguntas melhores do que as levantadas nas aulas tradicionais. Ou até mesmo quando faziam a pergunta já percebiam a relação com o conteúdo trabalhado nas anotações, chegando muitas vezes ao raciocínio da resolução sem o meu auxílio direto.
Uma semana após as aulas, eu me reuni com os alunos para avaliar o método. Eles gostaram e pediram que as oficinas fossem realizadas novamente."

Fábio admite que é recebido com ceticismo nas escolas em que tem implementado o método. "Chego para fazer formação dos professores e encontro profissionais acoados, que escutam que terão de dar aula diferente do que estão acostumados. É tanto peso que o professor carrega, que eles pensam que terão mais uma carga em seus ombros. Eu mostro que estou ciente com as dificuldades e que trabalhar com as Oficinas de Estudos é um método menos desgastante e com mais resultados", explica.
A principal dúvida dos docentes (e dos pais) é por que o método de aula expositiva tradicional, que educou várias gerações, deixou de funcionar? Fábio explica que alguns anos atrás, antes da massificação da informação, a escola era o único local onde as pessoas tinham a chance de aprender alguma coisa. "Agora com YouTubeGoogleWikipedia, o aluno tem acesso à informação quando quiser. A diferença é que ele não tem ainda a habilidade de saber qual informação é relevante. E é aqui que entra o professor como orientador no percurso de transformar informação em conhecimento."

Resultados

O método criado pelo professor Fábio vem apresentando bons resultados. Entre abril e maio de 2015, a Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo testou as Oficinas de Estudo em dez escolas da Diretoria de Ensino Região Centro-Oeste, da cidade de São Paulo, com a participação de 1.102 alunos de diferentes etapas de ensino e 97 professores. O projeto, batizado de Aprendizado ativo no cotidiano escolar - Capacitação de Professores em Oficinas de Estudo, mostra que 89,8% dos alunos avaliaram positivamente as oficinas, superando a meta de 75% de avaliações positivas esperadas. Do total, 97,2% constataram aprendizado sem orientação do professor. E apenas 0,6% dos alunos tiveram uma avaliação negativa do método.
Em relação aos professores, 93,8% avaliaram positivamente a formação. Quanto à capacidade da didática ser replicada pelos professores, os dados mostram que, após uma formação de apenas 3 horas/aula, os professores formados alcançaram resultados similares (86,7% de aprovação, 95,9% de percepção de aprendizado e 2,5% de rejeição) aos do professor-instrutor.
Em 2016, outro estudo foi realizado no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), com 138 alunos regulares do curso de Filosofia. “Apliquei questionários anônimos na primeira aula ministrada como Oficina de Estudo e também no final do semestre”, explica Fábio. O resultado das avaliações positivas (bom ou excelente) caíram levemente (de 95,7% para 93,7%) entre o começo e o fim do curso, com rejeição nula na primeira aplicação e de apenas 0,2% ao final do semestre. “Além disso, após um semestre e aplicações das Oficinas de Estudo intercaladas com debates ou outras atividades, 93% dos alunos afirmaram terem aprendido a estudar melhor por conta própria e 69% afirmaram usar o método das 4 etapas para estudar outras disciplinas”.
Fonte https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/25/economia/1485379003_135429.html

“A inovação destrói empregos com mais rapidez do que a educação os salva”

Setores cada vez mais amplos da população ficam fora do mercado por causa da inovação, diz economista



Economista italiano Michele Boldrin
Economista italiano Michele Boldrin FUNDACIÓN R. ARECES


Numa das primeiras cenas do filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, um símio levanta um osso e o utiliza para bater em outro. Quando entende que pode usá-lo como ferramenta, coloca-se numa situação de vantagem. “Essa inovação imediatamente cria desigualdade, pois faz com que um indivíduo seja mais forte que outro”, explica o economista Michele Boldrin.
O docente italiano, de 61 anos, que leciona no Departamento de Economia da Universidade Washington, St. Louis (Estados Unidos), visitou Madri no final de junho para participar de um fórum organizado pela Fundação Ramón Areces e o Centro de Estudos Monetários e Financeiros, onde falou de uma “hipótese sobre desigualdade que dá medo”.
Pergunta. Por que essa hipótese dá medo?
Resposta. A desigualdade é fruto da inovação. E como não há crescimento sem inovação, a desigualdade é um efeito secundário do crescimento econômico. Cada coisa que você inventa tende a dar vantagem a algumas pessoas e substituir outras, diminuindo a utilidade destas últimas do ponto de vista social. Uma vez iniciado o jogo, já não há retorno. Você inventa algo que transforma minhas habilidades em inúteis. Se tenho a capacidade cognitiva e legal para te imitar, posso recuperar, fazendo o mesmo e voltando a ser útil.
Esse mecanismo tem sido contínuo ao longo da história, mas hoje cada inovação origina uma perturbação muito forte, com um impacto social maior, assim como os custos de reajuste. Todos somos capazes de imitar o macaco que levanta o osso. Copiar o software de busca do Google, no entanto, é muito complicado. Toda inovação determina um ganhador – o que a realiza –, quantas pessoas podem imitá-la e quem pode ser substituído. Cada vez são eliminados setores mais amplos da população, com mais conhecimentos. Dentro de alguns anos, por exemplo, os carros sem motorista já terão ampla presença no mercado. Nos EUA, pelo menos oito milhões de pessoas trabalham dirigindo algum tipo de veículo. Em pouco tempo, serão inúteis do ponto de vista econômico. A educação pode mudar alguma coisa, mas a rapidez na destruição do emprego é muito maior frente à velocidade para voltar a formar capital humano.
A imitação da inovação reduz a desigualdade e permite que os excluídos do mercado recuperem seu papel, embora com um produto de pior qualidade. Há um fator tecnológico segundo o qual o Google, por exemplo, mantém uma posição dominante: ele funciona melhor que os demais. Mas também existe um fator legal. A propriedade intelectual protege quem chega primeiro e impede a competição de quem tenta imitá-lo. Esses mecanismos são cruciais na geração de desigualdade e contribuem para formar super-riquezas, de maneira muito mais rápida, com menos riscos e menos investimentos em comparação com o passado. Esse fenômeno, contudo, pode ser atacado através da política.
P. Existem alternativas?
R. Até agora conseguimos seguir em frente. Existem diversas medidas que podem ser tomadas para minimizar o problema. Em primeiro lugar, reestruturar os sistemas educativos para que possam formar estudantes mentalmente flexíveis. A cultura clássica tornou-se um luxo neste mundo. Ler Horácio é muito bonito, mas para poucos. Posso saber tudo sobre a rainha Isabel, de Castela, mas isso não me permitirá sobreviver. Antes de falar a uma criança de seis anos das glórias ocorridas no Egito, tenho que ensiná-la a entender o mundo que a rodeia. Uma vez que tenha conseguido seu lugar na sociedade, aí sim poderá se dedicar à leitura de Ovídio. Não se pode perder o tempo em que o cérebro está mais ativo, entre os 14 e os 19 anos, aprendendo declinações do latim. Isso é criminoso. Você não é útil para a sociedade se sabe tudo sobre De Bello Gallico [de Júlio César], mas não sabe produzir nada que os outros possam usar.
P. Em seu último livro, Against Intellectual Monopoly (contra o monopólio intelectual, em coautoria com David K. Levine), o senhor critica a existência de monopólios. Por que acha que o sistema não funciona, sobretudo no caso da indústria farmacêutica?
R. É preciso abolir os monopólios. Ponto. O caso das farmacêuticas é só um exemplo, um dramático monopólio criado pelo sistema de regulação do setor. A pesquisa tornou-se excessivamente cara e complicada. Pedir às indústrias farmacêuticas que sejam benfeitoras na África e que deem seus produtos de presente é uma estupidez, pois ninguém pede à Ferrari que faça muitas cópias de seus carros para distribuir. Existem doenças difíceis de curar e outras, talvez mais simples, embora raras. Ou seja: a pesquisa seria cara e os potenciais beneficiários, muito poucos. Os idosos também representam um problema na Europa. São um coletivo muito amplo com poder aquisitivo, e os laboratórios produzem o que eles querem. Seu interesse é viver muitos anos, e seu consumo do serviço nacional de saúde disparou à custa de todos os contribuintes. As farmacêuticas, nesse contexto, podem utilizar as patentes para manter uma situação de monopólio sobre alguns medicamentos, obtendo enormes lucros em alguns mercados, como o norte-americano. Eliminando as patentes, solucionaríamos em parte esse problema.
Fonte https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/19/economia/1500475025_052040.html

Por que empreender é tão difícil?

Independentemente do perfil do empreendedor, as mesmas categorias de desafios acabaram ficando nas primeiras posições Qualquer empresário...