quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Startup​ ​Brasileira​ ​reduz​ ​em​ ​até​ ​40%​ ​o​ ​frete​ ​internacional​ ​de​ ​importadores​ ​e exportadores.

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Tanto​ ​importadores​ ​e​ ​exportadores​ ​brasileiros​ ​concordam​ ​que​ ​um​ ​dos​ ​principais​ ​problemas enfrentados​ ​no​ ​dia​ ​a​ ​dia​ ​é​ ​a​ ​cotação​ ​do​ ​frete​ ​internacional.​ ​Na​ ​maioria​ ​dos​ ​casos,​ ​para​ ​se cotar​ ​um​ ​único​ ​frete​ ​são​ ​feitas​ ​diversas​ ​trocas​ ​de​ ​emails​ ​com​ ​diversas​ ​empresas.​ ​O recebimento​ ​dessas​ ​solicitações​ ​costumam​ ​ser​ ​demoradas​ ​e​ ​os​ ​valores​ ​ofertados​ ​quase sempre​ ​são​ ​maiores​ ​do​ ​que​ ​o​ ​mercado​ ​pratica​ ​naquele​ ​momento.​ ​Isso​ ​acaba​ ​afetando​ ​todo
O ​processo​ ​de​ ​importação​ ​e​ ​exportação,​ ​impactando​ ​diretamente​ ​no​ ​custo​ ​final​ ​do​ ​produto importado​ ​e,​ ​nos​ ​casos​ ​dos​ ​produtos​ ​exportados,​ ​aumentando​ ​o​ ​custo​ ​Brasil,​ ​prejudicando a​ ​competitividade​ ​dos​ ​produtos​ ​nacionais.
Com​ ​o​ ​intuito​ ​de​ ​melhorar​ ​essa​ ​situação,​ ​uma​ ​startup​ ​catarinense​ ​criou​ ​uma​ ​plataforma online​ ​capaz​ ​de​ ​reduzir​ ​em​ ​até​ ​40%​ ​o​ ​valor​ ​dos​ ​fretes​ ​internacionais​ ​de​ ​importadores​ ​e exportadores​ ​brasileiros​ ​e​ ​reduzir​ ​para​ ​minutos​ ​o​ ​tempo​ ​de​ ​recebimento​ ​de​ ​uma​ ​proposta de​ ​frete.​ ​Por​ ​meio​ ​da​ ​Cheap2ship,​ ​é​ ​possível​ ​cotar​ ​e​ ​comparar​ ​valores​ ​entre​ ​os​ ​maiores agentes​ ​de​ ​cargas​ ​que​ ​atuam​ ​no​ ​país​ ​e​ ​fechar​ ​todos​ ​os​ ​fretes​ ​em​ ​um​ ​só​ ​lugar.
Para​ ​Julio​ ​C.​ ​Torniero​ ​Coelho,​ ​Analista​ ​de​ ​Vendas​ ​Internacionais​ ​Sênior​ ​de​ ​uma multinacional​ ​exportadora​ ​de​ ​Jaraguá​ ​do​ ​Sul​ ​-​ ​SC,​ ​a​ ​plataforma​ ​Cheap2ship​ ​é revolucionária​ ​-​ ​O​ ​processo​ ​antigo​ ​de​ ​cotação​ ​de​ ​fretes​ ​continha​ ​sérios​ ​problemas: necessidade​ ​de​ ​envio​ ​de​ ​diversos​ ​e-mails​ ​para​ ​agentes​ ​de​ ​cargas,​ ​acarretando​ ​perda​ ​de produtividade;​ ​demora​ ​no​ ​tempo​ ​de​ ​resposta,​ ​o​ ​que​ ​poderia​ ​levar​ ​até​ ​à​ ​perda​ ​de​ ​vendas; incoerência​ ​entre​ ​preços​ ​cotados​ ​e​ ​fechados​ ​e,​ ​principalmente,​ ​custos​ ​muito​ ​mais​ ​altos​ ​do que​ ​os​ ​praticados​ ​no​ ​mercado.​ ​-​ ​A​ ​utilização​ ​da​ ​Cheap2Ship​ ​possibilitou​ ​para​ ​mim​ ​receber em​ ​minutos​ ​diversas​ ​cotações​ ​de​ ​muito​ ​mais​ ​agentes,​ ​podendo​ ​assim​ ​comparar​ ​custos, transit​ ​time,​ ​taxas​ ​e​ ​condições,​ ​podendo​ ​fechar​ ​o​ ​frete​ ​em​ ​um​ ​só​ ​lugar,​ ​e​ ​pelo​ ​melhor​ ​preço possível​ ​completa​ ​Julio.
Para​ ​Jociano​ ​Motta,​ ​CEO​ ​e​ ​Founder​ ​da​ ​Cheap2ship,​ ​os​ ​importadores​ ​e​ ​exportadores brasileiros​ ​precisavam​ ​de​ ​uma​ ​plataforma​ ​adaptada​ ​ao​ ​mercado​ ​brasileiro.​ ​Por​ ​meio​ ​desse entendimento​ ​e​ ​do​ ​comportamento​ ​dos​ ​profissionais​ ​da​ ​área​ ​foi​ ​desenvolvida​ ​a​ ​plataforma que​ ​se​ ​moldou​ ​e​ ​se​ ​molda​ ​a​ ​cada​ ​dia,​ ​suprindo​ ​assim​ ​a​ ​necessidade​ ​de​ ​quem​ ​atua​ ​nesse segmento.
A​ ​sede​ ​da​ ​empresa​ ​fica​ ​em​ ​Bombinhas,​ ​Santa​ ​Catarina,​ ​localizada​ ​entre​ ​os​ ​principais​ ​polos logísticos​ ​e​ ​tecnológicos​ ​do​ ​Estado.
Fonte http://www.painellogistico.com.br/startup%E2%80%8B-%E2%80%8Bbrasileira%E2%80%8B-%E2%80%8Breduz%E2%80%8B-%E2%80%8Bem%E2%80%8B-%E2%80%8Bate%E2%80%8B-%E2%80%8B40%E2%80%8B-%E2%80%8Bo%E2%80%8B-%E2%80%8Bfrete%E2%80%8B-%E2%80%8Binternacional/

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A ligação entre as gigantes da tecnologia e as startups

As grandes empresas sabem que a inovação disruptiva virá de startups que dão agora os primeiros passos. Por isso, elas querem ajudar as estreantes a crescer

Não eram nem 6 da manhã, os primeiros raios de sol iluminavam as ruas de São Francisco, na Califórnia, e o engenheiro Lucas Mendes já enfrentava sua terceira reunião com a equipe da Revelo, startup de recrutamento digital da qual é cofundador com o sócio Lachlan de Crespigny. Em pleno verão americano, a diferença de fuso horário entre a cidade americana e São Paulo, onde fica a sede da Revelo, era de 4 horas a menos. Do quarto do hotel, Mendes delegava via teleconferência tarefas ao pessoal de marketing e tecnologia antes de sua agenda do dia de fato começar. Ele era um dos 12 brasileiros que estavam no programa de aceleração de empresas do Google, o Launchpad, criado no início de 2016 e focado em países emergentes.
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Na quarta turma acelerada pelo Google, quatro brasileiras estavam entre as 33 empresas de 17 países: além da Revelo, participaram a Contabilizei, plataforma de contabilidade para pequenas empresas; o Guichê Virtual, que vende passagens de ônibus online; e a Arquivei, de gestão de dados fiscais. O programa, de seis meses de duração, incluiu um intensivão, em julho, de duas semanas em São Francisco, com mentores e especialistas de áreas como marketing e desenvolvimento de produto.
Além disso, o Google oferece 50.000 dólares para a startup gastar como quiser, 100.000 dólares em créditos para compra de serviços do próprio Google e a colaboração de executivos no período. “Quando está em São Francisco, o empreendedor consegue ver de perto o que é o ecossistema do Vale do Silício e interagir com outras startups que no futuro poderão ser parceiras ou clientes”, diz Roy Glasberg, líder do programa de aceleração de startups do Google.
Mendes e Crespigny, da Revelo: o selo de acelerada do Google trouxe novos clientes | Fabiano Accorsi
A rotina da turma que EXAME acompanhou no espaço do Launchpad foi puxada, com mais de 10 horas diárias de reuniões, palestras e rodadas de mentoria. O objetivo: melhorar o produto de startups que já estão no mercado mas ainda não ganharam escala, durante as duas semanas que os fundadores e os principais executivos passaram no Vale do Silício. Por isso, os times locais estavam em alerta para testar as sugestões dos mentores. “Uma mudança no produto que poderia facilmente consumir dois meses para ser testada no Brasil aqui tem de se provar em dias. A velocidade no Vale do Silício é outra”, disse Mendes na ocasião. Depois que ele voltou de lá, no final de julho, a Revelo recebeu 14 milhões de reais do fundo Valor Capital e do grupo australiano de recrutamento Seek. Além disso, o selo de empresa acelerada pelo Google trouxe novos clientes, como o Hospital Albert Einstein, a Ambev e a Cielo.
Para as startups que participam do programa do Google, que já gastou 7,5 milhões dólares com a iniciativa, as vantagens são grandes. Além de mentores, acesso a especialistas e à tecnologia, as startups acabam tendo contato com fundos de capital de risco e outros potenciais investidores. Mas qual é a vantagem para uma empresa como o Google, que faturou nada menos que  90 bilhões de dólares em 2016, apoiar novatas que ainda brigam por um lugar ao sol? Não é preciso ir longe para encontrar a resposta.
Em 1998, os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, ainda estudantes da Universidade de Stanford, receberam o primeiro cheque de 100.000 dólares de um investidor e montaram oficialmente a empresa numa garagem da cidade de Menlo Park, na Califórnia. Em 2006, as maiores companhias do mundo em valor de mercado eram petroleiras. Agora, cinco companhias de tecnologia encabeçam o ranking das maiores, liderado pela Apple, avaliada em 898 bilhões de dólares e seguida pela Alphabet, dona do Google, com 720 bilhões. É consenso que a inovação disruptiva do futuro virá de startups que podem nem ter nascido ainda. E as grandes de hoje já foram iniciantes um dia.
Cristina Junqueira e David Velez, sócios do Nubank: a fintech brasileira vai ser acelerada pelo Google em 2018 | Caio Guatelli
Outra razão para investir no ecossistema de inovação é bem prática. Muitos produtos do Google são direcionados para desenvolvedores de novas tecnologias. “Se uma startup constrói produtos para o Android, sistema operacional de celulares do Google, isso é obviamente interessante para a companhia”, diz José Papo, gerente de relacionamento do Google com desenvolvedores e startups na América Latina.
A companhia não ganha dinheiro diretamente com o Android, pois é um sistema com código aberto, que pode ser modificado pelos desenvolvedores e ninguém precisa pagar nada por ele, mas fatura — e muito — com o licenciamento de outros produtos, como o Google Maps. Ou seja, incentivar uma iniciante a usar sua plataforma tecnológica é uma forma de conquistar mercado no futuro, quando essa startup ganhar musculatura. No Launchpad, ninguém é obrigado a usar os produtos da companhia, mas os 100 000 dólares em crédito de produtos são um incentivo a que pouca gente resiste.
Na próxima rodada de aceleração, agendada para janeiro, o programa deverá dar mais ênfase à inteligência artificial. Isso fez com que o Google selecionasse pela primeira vez startups brasileiras mais maduras. O Nubank, fintech — empresa de tecnologia da área financeira — mais badalada do país, é uma das escolhidas, juntamente com a Loggi, de entrega por motoboys, e com a Zap Viva Real, de classificados digitais de imóveis. “Escolhemos startups com grande base de dados que podem explorar melhor as possibilidades do machine learning”, diz Papo.
Com 2,5 milhões de clientes e outras 500.000 pessoas na lista de espera, o Nubank teve uma receita de 237 milhões de reais no primeiro semestre deste ano, e é uma das apostas para ser o primeiro “unicórnio” — empresa avaliada em mais de 1 bilhão de dólares — do Brasil. A empresa foi convidada a participar do programa de aceleração, que prometeu a seus fundadores adaptar parte da agenda para atender aos interesses do banco digital. “Além de inteligência artificial, queremos entender como o Google trabalha a escalabilidade de áreas como recursos humanos”, diz David Vélez, presidente e um dos fundadores do Nubank.
Toque para ampliar
O Google não é o único gigante a apostar no que se convencionou chamar de aceleradoras corporativas de startups. Microsoft, IBM, Oracle e Cisco têm programas semelhantes focados no desenvolvimento de startups. Corporações que originalmente não têm nada a ver com o Vale do Silício, como Coca-Cola, Airbus e Disney, também criaram aceleradoras. Esse tipo de estrutura de apoio ao empreendedor digital é recente. Criada em 2005 em Boston e depois transferida para São Francisco, a Y Combinator é considerada a primeira aceleradora do mundo a impulsionar negócios inovadores com alto potencial de crescimento — e continua a ser uma das mais relevantes, com quase 1.500 startups aceleradas.
Boa parte das aceleradoras que vieram na sequência foi bancada por investidores individuais e fundos de private equity, que aportam valores baixos em troca de participação acionária na startup, em geral de 5% a 7% do capital. Em troca, oferecem apoio técnico e educacional, gestão e até um espaço de trabalho. E só ganham dinheiro se a startup der certo, vendendo suas ações para outros investidores. Ou seja, achar o próximo Airbnb ou Dropbox — ambas impulsionadas nas fases inicias pela Y Combinator — é a obsessão desse mercado. Nos últimos três anos, as grandes empresas despertaram para a criação dos próprios modelos de aceleração.
Recentemente, a americana Gust, plataforma digital de gestão de investimento em -startups, lançou um relatório que mapeia o cenário de aceleradoras no mundo. Existem 579 programas de aceleração, que já ajudaram mais de 11 000 novatas a ganhar escala. Mais da metade dos programas é financiada total ou parcialmente por grandes companhias — e isso deve crescer. Se no passado quase a totalidade das aceleradoras dependia da venda de ações para fechar as contas, o índice caiu para 33%. Isso porque o movimento de saída é lento e pode levar até dez anos. “Hoje, o modelo de aceleração faz mais sentido para uma corporação, pois ela não depende do retorno do capital investido, que é um valor ínfimo perto dos investimentos totais”, diz o húngaro Miklos Grof, um dos autores do estudo da Gust e investidor em espaços de trabalho compartilhados no Brasil.
Evento de desenvolvedores da Microsoft: no Brasil, a empresa de Bill Gates quer financiar startups | Elaine Thompson/AP Photo
O temível “efeito Kodak” é um dos principais motivadores para as grandes empresas se aproximarem das startups. Ninguém quer ser surpreendido por uma tecnologia que acabe com seu negócio da noite para o dia, como foi o caso da fabricante de produtos fotográficos analógicos que não conseguiu antever a rápida ascensão da fotografia digital. Por isso, muitos programas de aceleração miram startups que criam produtos nas áreas de atuação da companhia patrocinadora.
A Oracle, empresa de softwares corporativos, lançou neste ano seu programa de aceleração em oito cidades globais — São Paulo está entre as escolhidas. Um dos focos é encontrar startups com boas soluções de computação na nuvem, área que já representa 51% do faturamento da Oracle. Na versão brasileira do programa, seis startups foram selecionadas para receber mentoria, ter acesso gratuito a produtos da Oracle e utilizar seu espaço de trabalho compartilhado, que fica perto da sede da empresa justamente para aproximar empregados de empreendedores . “A expectativa é que a cultura de inovação das startups, que têm processos mais ágeis, acabe influenciando de forma positiva os funcionários da empresa”, diz Rodrigo Galvão, presidente da Oracle no Brasil.
Do ponto de vista das corporações, acessar a inovação por meio de startups é também uma forma segura de pisar em terrenos incertos. “É compreensível que uma grande empresa seja cautelosa no foco de inovação, pois ela passou anos desenvolvendo uma marca e precisa proteger seu negócio”, diz Ron Yerkes, diretor da aceleradora SAP.iO Foundry, patrocinada pela empresa alemã de software SAP, nos Estados Unidos. “Já as startups estão inovando num ritmo muito mais rápido e podem se arriscar em tecnologias completamente desconhecidas.”
Laboratório da Dasa: várias frentes para se ligar com startups de saúde e inovar | Germano Lüders
Apesar de parecer que todo mundo sai ganhando, há riscos para ambos os lados. Startups são, por definição, negócios de alto risco. A mortalidade dessas empresas é altíssima: no Brasil, 74% fecham as portas após cinco anos. Por isso, as corporações precisam estar preparadas para o fato de que aquela ideia brilhante, criada por um time jovem e empolgado, simplesmente pode não dar certo.
Outro risco é o choque de cultura. Companhias tradicionais podem não estar preparadas para a velocidade que os negócios digitais exigem e acabar engessando a relação com essas empresas. “Se a startup precisa entrar na fila de suprimentos para receber um material, já deu errado”, diz Pedro Waengertner, da Ace Startups, aceleradora que criou programas específicos para algumas empresas tradicionais, como a Braskem. “Se uma grande empresa quer trabalhar com uma startup, tem de buscar uma afinidade de cultura, caso contrário, ambas acabam frustradas.”
Não existe, porém, um modelo único de aproximação entre esses dois universos. O ecossistema de inovação hoje no Brasil é composto de diversas camadas: há desde a turma de uma ideia na cabeça e sem um produto viável até empresas estruturadas que já sabem como e onde querem chegar mas precisam de financiamento para isso, sobretudo na faixa dos 500.000 aos 2 milhões de reais. É justamente nesse segmento que a Microsoft quer atuar.
No exterior, a empresa de Bill Gates é dona de uma das maiores aceleradoras corporativas do mundo, por onde já passaram 647 startups. No Brasil, quer ajudar as novatas com dinheiro. Para isso, montou o fundo BR Startups, com capital de 27 milhões de reais, do qual são sócias também Qualcomm, BB Seguridade e Grupo Algar, entre outras empresas, e que foi estruturado para atuar em diferentes áreas, como finanças e agronegócio.
Em setembro, a Tbit, empresa que analisa imagens de grãos, sementes e folhas, recebeu 1  milhão de reais do fundo e da empresa de biotecnologia Monsanto, outra sócia da BR Startups. “O que acontece no Brasil é que muitas empresas passam pela fase de aceleração, estão prontas para os próximos passos, mas não têm recursos para seguir em frente”, diz Franklin Luzes, vice-presidente da Microsoft Participações.
Y Combinator, em São Francisco: a aceleradora recebe ações de startups em troca de ensinamentos | Divulgação
O fato é que cada vez mais grandes empresas querem se associar a startups. O laboratório Dasa, por exemplo, aposta em diferentes formas de trabalhar com elas. Em agosto, anunciou uma parceria com o Cubo, espaço de trabalho financiado pelo banco Itaú e pelo fundo RedPoint eventures. A Dasa bancará um andar do novo prédio do Cubo apenas para abrigar startups da área de saúde. Essas companhias poderão utilizar — para fazer testes clínicos, por exemplo — a capacidade ociosa nos laboratórios e nos hospitais do grupo (a família Bueno, principal acionista da Dasa, é dona também da Ímpar, que tem nove hospitais). “Uma grande empresa não consegue ser tão ágil e eficiente quanto uma startup quando se trata do desenvolvimento de novas tecnologias em saúde”, diz Pedro Bueno, presidente do laboratório.
Outra frente criada dentro da Dasa são as chamadas células ágeis, espécie de startups dentro da própria companhia. Para elas, são colocados desafios relacionados aos negócios do grupo, como aumentar em 20% os agendamentos de exames de ultrassom pela internet. Hoje, existem 15 células em operação, mas a meta é ter 40 em 2018. Bueno é quem também está liderando os investimentos da família por meio do fundo DNA Capital, com cerca de 200 milhões de reais separados para focar empresas de biotecnologia. Duas delas já receberam investimento do DNA Capital: a americana Arterys, de inteligência artificial em radiologia, que fica no Vale do Silício, e a brasileira Beep.
No caso da startup nacional, que recebeu 5 milhões de reais em agosto, o foco é o atendimento médico em domicílio. Com 800 médicos cadastrados, as consultas são agendadas pelo site ou via aplicativo. A breve chegada da Beep ao universo da Dasa já mexeu com a empresa. “Vimos que havia uma oportunidade de oferecer vacinas pela plataforma, com a aplicação no laboratório. Em dois meses, as vendas de vacinas da Dasa aumentaram cerca de 5% com a ferramenta”, diz Bueno. Quando há afinidade entre um gigante do mundo empresarial e uma startup de tecnologia, o céu é o limite para os novos negócios que podem ser gerados.
Fonte https://exame.abril.com.br/revista-exame/os-gigantes-e-as-startups/

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Sebrae lança projeto para internacionalização de startups

Primeira etapa do projeto vai levar 15 empresas para imersão em Paris

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex-Brasil), o Sebrae e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) lançam na próxima sexta-feira, dia 24 de novembro, o novo programa de internacionalização de startups.
Durante a cerimônia, que será realizada no CO.W., em São Paulo, serão apresentadas as diretrizes do projeto, que prevê capacitação e uma série de missões nos próximos anos para apoiar empresas iniciantes. Elas vão conhecer e poderão se integrar a ecossistemas de inovação em cidades como Berlim, Lisboa, Miami e Paris, primeira etapa do projeto a ser realizada na primeira semana de dezembro deste ano.
Participam do painel de abertura o presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe; o chefe do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos do MRE, Ministro Carlos Alberto França; o secretário de Inovação e Novos Negócios do MDIC, Marcos Vinícius; a diretora técnica do Sebrae, Heloisa Menezes; e o vice-presidente da Anprotec, José Alberto Sampaio Aranha. O evento também terá a apresentação de cases e debates com empreendedores que já iniciaram processos de internacionalização.
Serviço – Lançamento do novo projeto para internacionalização de startups
Data: 24 de novembro, sexta-feira
Horário: 9h às 12h
Local: CO.W Berrini - Rua Jaceru, 225 – Brooklin, São Paulo
Agenda
9h – Welcome Coffee
10h – Abertura
10h5 – Painel: Programa Brasileiro de Apoio à Internacionalização de Startups - StartOut Brasil
10h35 – Apresentação de Case
10h50 – Painel: A Experiência de Imersão em Mercados Internacionais
11h30 – Key Note – Por que ousar ser global?
12h – Encerramento
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/cotidiano/sebrae-lanca-projeto-para-internacionalizacao-de-startups/122243/

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Por que empreender é tão difícil?

Independentemente do perfil do empreendedor, as mesmas categorias de desafios acabaram ficando nas primeiras posições

Qualquer empresário te dirá que abrir e manter seu próprio negócio é fácil. Mas, por que empreender é tão difícil? Em uma pesquisa realizada em 2016 com quase 1000 empreendedores brasileiros, foram levantados os principais desafios que eles encontraram em sua trajetória. Independentemente do perfil do empreendedor, as mesmas categorias de desafios acabaram ficando nas primeiras posições. Então vamos aos cinco maiores desafios identificados:

1. Mão de Obra: Sem ela o seu negócio não anda, mas mão de obra qualificada sai caro. Encarar o dilema entre pagar mais caro por um profissional qualificado ou investir na qualificação de um profissional foi o maior desafio enfrentado pela grande maioria dos novos empreendedores. Nossa dica: é preciso encontrar um equilíbrio entre motivar seus funcionários e investir neles. Profissional motivado e qualificado trabalha melhor e eleva a qualidade de seus produtos ou serviços.

2. Gestão financeira: Muito novos negócios fecham nos primeiros anos de existência porque contraíram muitas dívidas, e o problema é a má gestão financeira. Não calcularam antecipadamente todos os custos do negócio, não planejaram bem as receitas e, o principal, não tinham conhecimento sobre gestão financeira. Nossa dica: fuja dos empréstimos bancários, avalie muito bem os seus custos e faça um bom planejamento (bem conservador) da receita futura. Se tem dificuldades, procure um profissional ou sócio com experiência.

3. Burocracia (Jurídico e regulação): Não é segredo para ninguém: a legislação brasileira não facilita para quem quer abrir seu negócio, os impostos levam quase todo seu lucro. Tanto que o maior obstáculo apontado pelos empreendedores está nos impostos. Nossa dica: procure um contador, explique muito bem o seu negócio, seus produtos ou serviços, e encontrem a melhor solução. E lembre-se, sempre coloque na sua conta final o pagamento dos impostos.

4. Inovação: As empresas identificaram que a velocidade com que a inovação muda o conceito dos consumidores, não só na área de produtos e serviços, mas também na forma como serão solucionados os problemas encontrados no cotidiano de cada negócio, é um desafio para as novas empresas. Nossa dica: Esteja sempre preparado para as novas mudanças do mercado, atualize-se sempre e aceite modificar o seu negócio. Sem mercado, nenhuma empresa sobrevive.

5. Marketing: A falta de estratégias de marketing é outro desafio para a grande maioria das empresas, muitas delas por falta de experiência, capacitação ou profissionais da área. Nossa dica: o Marketing concentra a inteligência competitiva e estratégica da empresa, analisando todo o mercado. Busque um profissional competente ou uma empresa de consultoria e estabeleça claramente quais as estratégias para atender a necessidades e desejos dos seus clientes.

Muitas vezes é complicado para o jovem empresário entender todos esses conceitos e a importância deles dentro do seu negócio quando se está ingressando no mercado. Antes de encarar qualquer novo desafio busque capacitar-se. Por meio do conhecimento é possível elevar a sua ideia para um outro nível, tornando o seu negócio muito mais competitivo. Aprenda com quem já sabe, a experiência dos outros pode ser extremamente valiosa.

Charles Bonissoni — Sócio fundador do Grupo WDS, maior grupo de entretenimento do Brasil, detentor da marca Wood´s, e mentor do Projeto Jovem Empresário.

Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/por-que-empreender-e-tao-dificil/122083/

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Seis dicas para investir nas pessoas da sua startup

É a equipe que você tem ou contratou que, em última instância, determinará o sucesso ou o fracasso da sua startup

Sempre que se fala em startup, fala-se em inovação. Mas, tem um assunto que gosto muito e que, na minha opinião, é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento: pessoas! Pois, não existe inovação sem pessoas.

Como todo empreendedor sabe, criar uma startup é um trabalho árduo. O que normalmente ouvimos é: “eu tenho uma superideia inovadora, fiz pesquisas e identifiquei que existe uma real necessidade no mercado. Fiz meu plano de negócios, validei conceito, conversei com muita gente etc”. Mas, você já se perguntou se o investidor (Venture Capital ou anjo) concorda com você?

Com tantos fatores em jogo e pesquisas indicando que até 90% das startups falham, como você faz tudo isso funcionar e dar certo? O segredo está em prestar muita atenção e dedicar tempo às pessoas com as quais você convive e trabalha.

Uma ótima ideia quase sempre é o catalisador para colocar as coisas em movimento, porém, no final do dia, é a equipe que você tem ou contratou que, em última instância, determinará o sucesso ou o fracasso da sua startup. Então, aqui vão algumas dicas:

1. Compartilhe sua visão.
Ao contratar os primeiros funcionários, você, provavelmente, não estará oferecendo grandes salários e benefícios corporativos. Você está apostando que os outros vão querer se juntar ao seu projeto e sonhar o seu sonho, portanto, é extremamente importante que eles acreditem que o sonho é alcançável. Como fundador, você deve compartilhar sua visão de longo prazo. O entendimento da visão geral e essa crença fazem com que o seu propósito seja válido para um potencial empregado.

2. Conheça suas fraquezas.
Se você é o único fundador ou tem parceiros, é importante identificar suas fraquezas. Faça um balanço dos vazios em suas habilidades e dê prioridade às posições que você precisa contratar primeiro. Por exemplo, se você (ou seus fundadores) são experientes em tecnologia, mas não tem habilidades para vender um produto, você vai querer encontrar rapidamente alguém que o faça . Reconhecer essas necessidades desde o início economizará muito tempo extra na estrada. Além disso, verifique se você está ciente de quais papéis têm mais sentido para sua startup.

3. Dê atenção à sua rede.
Não são apenas as pessoas de dentro da empresa que são fundamentais para o crescimento do seu negócio, são também as pessoas que você traz de fora. Os mentores, os conselheiros informais, e os membros do conselho (quando for o caso) não são apenas para mostrar. Eles desempenham um papel importante na ajuda para guiá-lo tanto pessoal como profissionalmente. Cultive suas redes individuais para encontrar especialistas da indústria e veteranos que possam aconselhar com o olhar e a experiência de alguém que já passou por isso antes.

4. Seja criativo ao contratar.
Você tem seu time, mas, agora, é hora de encontrar as pessoas que ajudarão a impulsionar o sucesso do dia-a-dia da sua startup. Os recrutadores são ótimos, entreteno, se você deseja encontrar as melhores pessoas para sua startup, planeje fazer algumas incursões você mesmo para achar a pessoa certa. Faça uma lista de habilidades profissionais e traços de personalidade que deseja em sua equipe e, então, procure-os ativamente.

5. Lembre-se de que não há ‘eu’ na equipe.
À medida que você começa a contratar esses novos talentos, é importante que cada membro da equipe tenha a oportunidade de fornecer feedback durante o processo de contratação.

6. Construa a cultura que você deseja.
Ao contratar, lembre-se de mobilizar a equipe em torno de sua causa. Construa uma cultura que se preocupe com suas pessoas e o entorno, que esteja unida em torno de uma visão compartilhada.

Por fim, lembre-se: ninguém faz sucesso sozinho!


*Altair Assumpção é empreendedor, investidor-anjo e mentor da Spin Aceleradora de Startups.
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/empreendedorismo/seis-dicas-para-investir-nas-pessoas-da-sua-startup/121901/

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O que empresas tradicionais podem aprender com as startups

Para manter um negócio inovador, é preciso antes de tudo contar com um time engajado e colaboradores com uma identificação forte com a cultura e clima da empresa

Contar sobre os desafios que tive nesses seis anos à frente do GetNinjas tem sido uma tarefa cada vez mais frequente e estimulante. Ao compartilhar minha experiência, também aprendo muito. Venho colecionando as dúvidas e sugestões das centenas de pessoas, de empresas tradicionais ou iniciantes, que encontro em eventos, palestras e painéis. De forma geral, acabam sendo muito parecidas, o que me inspirou a compartilhá-las para que mais pessoas e negócios sejam impactados.
Sempre começo minhas palestras contando os motivos que me levaram a trocar um emprego formal, no mercado financeiro, pela aventura de empreender. Sim, falo que é uma aventura, porque os desafios são muitos, o que exige do empreendedor um perfil profissional mais disposto a assumir riscos para propor novas ideias ao mercado.
Cada vez mais empresas tradicionais nos sondam em busca de inspiração. Esse perfil mais ousado, que tenta algo diferente do que já é feito, que testa, é algo que elas ainda não sabem como adotar, mas precisam aprender para inovar em seus segmentos de atuação.
Seleção de talentos
Para manter um negócio inovador, é preciso antes de tudo contar com um time engajado e colaboradores com uma identificação forte com a cultura e clima da empresa. E, acima de tudo, ter pessoas apaixonadas por criar negócios inovadores e com potencial de escalar e dominar o mercado.
Remuneração
É muito importante que todos colaboradores tenham uma participação ativa na empresa, o que é possível oferecendo ao funcionário a possibilidade se tornar acionista da empresa, numa combinação de salário e equity. Isso ajuda a gerar o sentimento de dono e motivar as pessoas a darem o melhor para ver a empresa crescer e serem recompensadas pelos esforços no futuro.
Propósito de negócio
Não é só com equity que se motiva uma equipe. Mostrar para o time o impacto gerado pelo nosso negócio, é o melhor estímulo para que as pessoas se dediquem a dar o melhor de si. Isso pode ser incentivado por meio de projetos de comunicação, usando vídeos, texto ou quadros espalhados pelas paredes do escritório, por exemplo, para contar histórias de sucesso dos usuários do seu produto ou serviço.
Organização dos times
Para continuar crescendo rapidamente e ajudar muito mais profissionais a terem clientes fieis, startups do mundo inteiro, incluindo as que já cresceram muito – como Uber, Netflix e Airbnb, uma estrutura de organização de times chamada Squad. Criada pelo Spotify, esse método propõe a divisão dos times em pequenos grupos com missões bem definidas sobre o produto. No GetNinjas, por exemplo, temos squads de aquisição, experiência do usuário, receita e marketing. Em cada um desses times, há pessoas de tech, produto, design, BI e conteúdo, o que os torna bem completos e independentes.
Outra metodologia bastante adotada por startups, e que ajudou o Google a se estruturar e crescer, é o OKRs (Objectives and Key Results). Criada pelo ex-CEO da Intel, o OKR é uma forma de se definir, medir e reavaliar resultados num curto prazo, 3 meses. Isso garante aos times manter um direcionamento e independência maior na execução dos projetos já pré-definidos e estipulados, o que permite tomar decisões mais rápidas para um crescimento contínuo do negócio.
Clima Organizacional
Outro ponto importante sobre um negócio de sucesso é o bem-estar da equipe. Para isso, o time de Recursos Humanos precisa ser bastante ativo e criativo. Sempre cito nas minhas palestras, as iniciativas lideradas pelo nosso RH, que visam melhorar a comunicação entre os times. Como exemplo, temos o Papo Reto, um encontro mensal com uma conversa informal que ajuda no desenvolvimento e satisfação de toda a empresa.
Outras ações do RH, que também contam com participação e engajamento de todo time são os Embaixadores da Cultura e o Gente Ninja. Os embaixadores são formados por um grupo de cerca de 10 funcionários que se reúnem periodicamente para construir uma cultura empresarial viva e ativa, que ajude a disseminar os propósitos da empresa para todos funcionários. O Gente Ninja é outro grupo que discute sobre tudo que engloba diversidade dentro e fora da empresa.
Com essas ideias de ações, empreendedores novos e também os mais tradicionais podem pensar em como trazer ideias simples e ativas para dentro das organizações a fim de estimular o poder criativo dos times e motivar a produção.
Iniciativas como essa são importantes para levarmos para empresários de todo país propostas inovadoras e de alto impacto social e econômico. Assim, mostrando como startups lideradas pela nova geração estão revolucionando a forma de se gerenciar e como indústrias de segmentos mais tradicionais podem impulsionar seus negócios com iniciativas simples, mas de grande impacto.
Eduardo L'Hotellier - Fundador e CEO do GetNinjas
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/o-que-empresas-tradicionais-podem-aprender-com-as-startups/121906/

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar

Modelo de aprendizagem ativa é alternativa a aulas expositivas tradicionais


Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar
Professor Fábio Ribeiro Mendes em oficina de estudo  DIVULGAÇÃO

Em 2009, o filme Entre os Muros da Escola, dirigido por Laurent Cantet, expôs ao mundo as dificuldades de um professor para lecionar a língua francesa em uma escola de ensino médio na periferia de Paris. No final do filme, ele pergunta aos alunos o que eles aprenderam no ano letivo. Para a surpresa do professor, entre depoimentos sobre terem aprendido as proporções da matemática, sobre vulcões e até mesmo expressões em espanhol, uma aluna diz que não aprendeu nada. Segundo ela, o material oferecido pela escola era inútil, mas ela havia lido livros interessantes por conta própria, como a República, de Platão. O professor parece aliviado, mas quando a aula acaba, outra jovem se aproxima dele e revela: "Comparado aos meus colegas, eu realmente não aprendi nada (...) não entendo o que fazemos aqui."

Essa situação não é muito distante da realidade de um professor brasileiro nos dias de hoje. "O professor prepara a aula, ensina o conteúdo, passa exercício, prova, recuperação e percebe que o aluno aprendeu o básico do básico, às vezes, nem isso", conta o professor Fábio Ribeiro Mendes, formado em Filosofia e Direito, e especialista em desenvolvimento da autonomia no aprendizado, que desenvolveu um método de aprendizagem ativa, baseado em Oficinas de Estudo.
Há dez anos, Fábio empreende uma cruzada contra o ensino chato, a desmotivação dos alunos e a frustração e cansaço dos professores na prática na sala de aula. Segundo ele, o diagnóstico compartilhado por profissionais de educação mundo afora é que o modelo de aula expositiva tradicional está falido, pois ensina pouco, e não desenvolve as habilidades necessárias para o século XXI. "Os alunos em geral não sabem estudar. Passamos doze anos na educacao básica e não temos uma aula de como estudar. E somos cobrados por uma tarefa que não aprendemos a fazer", conta o professor.
Com base em sua experiência como aluno, Fábio desenvolveu o Método de Estudo das Quatro Etapas, que norteia as oficinas. "Mesmo sendo um aluno que tirava notas boas no colégio, eu sabia que não era em função do estudo em casa. Eu achava chato estudar. Mas quando fiz o segundo vestibular para Direito e fui rever o conteúdo do ensino médio, notei que já não achava mais tão chato, pois tinha aprendido a estudar sozinho."

As quatro etapas de estudo: 1ª leitura panorâmica; 2ª seleção e marcação de trechos relevantes; 3ª anotações; 4ª exercícios

O método se baseia em quatro etapas: 1ª leitura panorâmica (rápida e superficial) do material de estudo; 2ª seleção e marcação dos trechos mais relevantes no texto; 3ª anotações das informações mais importantes; 4ª exercícios (formulados pelo professor ou mesmo com base nas dúvidas dos estudantes), que vão testar o conteúdo aprendido e ajudar os estudantes a levantar dúvidas. A vantagem do método, afirma Fábio, é que por meio de um roteiro de oficina de estudos os alunos acompanham as etapas de ensino, e sabem se estão avançando ou não.
Em seu livro A Nova Sala de Aula, Fábio demonstra como funciona o método na prática. Primeiramente, o professor apresenta aos alunos o material que servirá de base para o estudo, e em seguida, traz as ferramentas (método de estudo), explicando passo a passo cada uma das etapas a serem seguidas. O professor acompanha a prática dos alunos, orientando-os no percurso, porém, é o aluno, em seu próprio ritmo que toma as rédeas de seu aprendizado, lendo e relendo o conteúdo, e mesmo avançando se já o tiver compreendido, até chegar à fase de produção de anotações e elaboração de exercícios. "Estudar não é aquilo que fazemos no colégio, aquilo é receber conteúdo. Estudar é aprender por conta própria com conteúdo inédito. É um mito de que sem um professor não se consegue aprender", diz Fábio
A principal mudança em relação ao método tradicional, é que as Oficinas de Estudo são centradas no aluno e não no professor. Fábio, no entanto, é enfático em afirmar que seu método não tem como objetivo acabar com a função da escola ou do professor. Ele explica que, enquanto o ensino tradicional é pensado de forma unidirecional, com alguém que sabe o conteúdo passando para alguém que quer aprender, o que ele propõe é trabalhar com um método que possa ser aplicado dentro das instituições de ensino como elas estão estruturadas, com custo praticamente zero, início imediato e protagonismo dos estudantes nas aprendizagem.


DEPOIMENTO DE QUEM TESTOU O MÉTODO NA SALA DE AULA

Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar
Cópia de material produzido por aluno 

"Meu nome é Sandra Hoffmann e sou professora de Matemática em Santa Cruz do Sul (RS), e sou formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Em 2013 assisti a uma palestra do professor Fábio Mendes e fiquei encantada com a proposta de trabalhar com Oficinas de Estudo. Li o livro A nova sala de aula do autor e decidi aplicar a metodologia em duas turmas de 7º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Petituba.
Para isto, fiz pequenas adaptações em relação a proposta do livro. O primeiro passo foi a preparação do material para alunos do 7º ano. Organizei cópias de um livro didático sobre equações do 1º grau e distribui aos alunos. Com a minha orientação, eles realizaram as etapas de leitura panorâmica e marcações.
Na matemática é muito importante ter conhecimento prévio de determinados assuntos. Pensando nisso, propus aos alunos a criação de um glossário matemático. Por isso, levei para a aula outros livros didáticos e dicionários, para que os alunos elaborassem o glossário com as definições dos termos que eles desconheciam. Após a elaboração do glossário, foi proposto que os alunos fizessem suas anotações, seja na forma de um esquema, resumo ou tabela, sem se preocupar com certo ou errado.
Com todas as anotações reunidas realizamos um momento de debate. Foi muito enriquecedor, pois fomos além dos conteúdos propostos inicialmente. Por exemplo, foi debatido sobre a diferença entre as dimensões 2D, 3D e 4D, o que provavelmente não teria acontecido se tivesse adotado uma aula tradicional. Não foi necessário que eu explicasse o conteúdo para os alunos, mas apenas esclarecer alguns pontos do material e auxiliá-los a fazer as ligações necessárias entre os conteúdos e o material produzido.
Depois disso, os alunos realizaram exercícios diferenciados usando como consulta as suas anotações. Foi muito interessante acompanhar os alunos fazendo as relações das questões com as suas anotações. Muitos quando tinham dúvidas formularam perguntas melhores do que as levantadas nas aulas tradicionais. Ou até mesmo quando faziam a pergunta já percebiam a relação com o conteúdo trabalhado nas anotações, chegando muitas vezes ao raciocínio da resolução sem o meu auxílio direto.
Uma semana após as aulas, eu me reuni com os alunos para avaliar o método. Eles gostaram e pediram que as oficinas fossem realizadas novamente."

Fábio admite que é recebido com ceticismo nas escolas em que tem implementado o método. "Chego para fazer formação dos professores e encontro profissionais acoados, que escutam que terão de dar aula diferente do que estão acostumados. É tanto peso que o professor carrega, que eles pensam que terão mais uma carga em seus ombros. Eu mostro que estou ciente com as dificuldades e que trabalhar com as Oficinas de Estudos é um método menos desgastante e com mais resultados", explica.
A principal dúvida dos docentes (e dos pais) é por que o método de aula expositiva tradicional, que educou várias gerações, deixou de funcionar? Fábio explica que alguns anos atrás, antes da massificação da informação, a escola era o único local onde as pessoas tinham a chance de aprender alguma coisa. "Agora com YouTubeGoogleWikipedia, o aluno tem acesso à informação quando quiser. A diferença é que ele não tem ainda a habilidade de saber qual informação é relevante. E é aqui que entra o professor como orientador no percurso de transformar informação em conhecimento."

Resultados

O método criado pelo professor Fábio vem apresentando bons resultados. Entre abril e maio de 2015, a Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo testou as Oficinas de Estudo em dez escolas da Diretoria de Ensino Região Centro-Oeste, da cidade de São Paulo, com a participação de 1.102 alunos de diferentes etapas de ensino e 97 professores. O projeto, batizado de Aprendizado ativo no cotidiano escolar - Capacitação de Professores em Oficinas de Estudo, mostra que 89,8% dos alunos avaliaram positivamente as oficinas, superando a meta de 75% de avaliações positivas esperadas. Do total, 97,2% constataram aprendizado sem orientação do professor. E apenas 0,6% dos alunos tiveram uma avaliação negativa do método.
Em relação aos professores, 93,8% avaliaram positivamente a formação. Quanto à capacidade da didática ser replicada pelos professores, os dados mostram que, após uma formação de apenas 3 horas/aula, os professores formados alcançaram resultados similares (86,7% de aprovação, 95,9% de percepção de aprendizado e 2,5% de rejeição) aos do professor-instrutor.
Em 2016, outro estudo foi realizado no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), com 138 alunos regulares do curso de Filosofia. “Apliquei questionários anônimos na primeira aula ministrada como Oficina de Estudo e também no final do semestre”, explica Fábio. O resultado das avaliações positivas (bom ou excelente) caíram levemente (de 95,7% para 93,7%) entre o começo e o fim do curso, com rejeição nula na primeira aplicação e de apenas 0,2% ao final do semestre. “Além disso, após um semestre e aplicações das Oficinas de Estudo intercaladas com debates ou outras atividades, 93% dos alunos afirmaram terem aprendido a estudar melhor por conta própria e 69% afirmaram usar o método das 4 etapas para estudar outras disciplinas”.
Fonte https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/25/economia/1485379003_135429.html

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